Psiquiatra discute suicídio na adolescência com servidores

Em palestra on-line, médica graduada pela USP apresentou panorama do problema e formas de atuação

 

No mês dedicado à valorização da vida, com o intuito de ampliar a formação de seus servidores, a Fundação CASA promoveu na última quarta-feira (29) um webinário sobre o suicídio de adolescentes nesses tempos de pandemia, com a médica psiquiatra Ana Carolina Pegoraro Martins, assistente Técnica da Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Durante mais de uma hora e meia, a profissional apresentou o panorama do problema no Brasil e no mundo, estratégias de abordagem da questão junto a jovens com ideário suicida, os direcionamentos para identificação de potenciais casos e os fatores de risco. Cerca de 200 servidores participaram simultaneamente da transmissão, ocorrida pela plataforma Microsoft Teams.

A médica, que atua como psiquiatra assistente do Grupo de Interconsultas do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP, ainda discutiu formas de cuidado, prevenção e abordagem do problema com o público final.

Pelo panorama exibido pela profissional, com base em dados da Organização Mundial da Saúde, nos últimos 50 anos, houve aumento de 60% nos casos de suicídios, tornando-se a 10ª causa de morte mais frequente entre os seres humanos

Entre a população na faixa etária dos 15 a 29 anos, chega a ser a 2ª ou 3ª causa de morte mais frequente – perdendo apenas para os acidentes de trânsito e homicídios. Para cada suicídio consumado, há 20 vezes mais tentativas. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a medida socioeducativa pode ser aplicada em adolescentes e jovens com idades entre 12 e 21 anos incompletos.

“Quando uma pessoa tenta o suicídio e não consegue êxito, é preciso ficar atento nos 15 dias posteriores, que é o período em que o indivíduo tentará novamente o ato”, explicou a médica. “Quando há morte, de cinco a seis pessoas da convivência próxima são profundamente afetadas emocional, social e economicamente”, completou.

Segundo a psiquiatra, o suicídio precisa ser trabalhado pelos profissionais do atendimento na prevenção, intervenção e acompanhamento. Um potencial suicida, na maioria das vezes, fala sobre esse pensamento e seus planos antes de agir, por isso a importância de ouvir, sem pré-julgar e acolher quem passa pelo problema, incluindo adolescentes.

Com base nos atendimentos que já realizou, Ana Carolina contou que não é incomum os adolescentes cogitarem o suicídio, uma vez que é um período de transição e descobertas. “Eu os questiono no atendimento: será que o sentido da vida não é cada um dar sentido à própria vida ao longo dela inteira?”, observou a médica.

O evento foi promovido pela Fundação CASA, por meio da Superintendência de Saúde (SupSau), vinculada à Assessoria Especial de Medida Socioeducativa (AEPS).

“Foi uma oportunidade para o funcionário se aprofundar numa questão que pode atingir qualquer adolescente e que, há anos, é tema de campanha de conscientização no Brasil”, afirmou o secretário da Justiça e Cidadania e presidente da Fundação CASA, Fernando José da Costa.

O Setembro Amarelo é uma campanha da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), de conscientização e prevenção ao suicídio no Brasil. A iniciativa ocorre desde 2014.

De acordo com a campanha, o Brasil registra anualmente 13 mil suicídios, número que sobe para 1 milhão de casos, quando considerado o mundo. Do total, 96,8% foram suicídios relacionados com transtornos mentais, como a depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias.

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