Projeto , Expresso usa arte para construir nova perspectiva de jovens em cumprimento de medida socioeducativa

Atividades permitiram socializar adolescentes em internação, semiliberdade, liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade, com mediação de artistas visuais contemporâneos

 

Um grupo de 30 adolescentes, com idades entre 12 e 18 anos, que cumprem medida socioeducativa na cidade de São Paulo participam, desde setembro deste ano, do Projeto , Expresso. A iniciativa artística e cultural envolve ateliês de artes, formados por sete artistas visuais contemporâneos – Ana Raylander Mártir dos Anjos, Bruno Dunley, Élle de Bernardini, Igi Lola Ayedun, Jaime Lauriano, Moisés Patrício, Raphael Escobar – que trabalham com os adolescentes, nomeados como jovens artistas: Anny Fereira, Andrey, Camilly, Du, Caique C., DJ Monstro, Elisa, El Lipy, Estephany, E 07, Favela, G.Estevam, Hariel, Kaue Artes, Mateus Oliveira, Marcos O, Marquinhos, Marketing, Mascarado, Mg Da Sp, MC GH da Capital, João Poeta, MC mw.Oficial, Michele, Santiago, Tereza, Thiago Henrique, Vitória, Wendy e Xico.

O Projeto trabalha técnicas de desenho, pintura, fotografia, música e audiovisual. Cinco garotas participantes cumprem medida socioeducativa de internação na Fundação CASA, no centro socioeducativo Bom Retiro, na capital, e um está no CASA de Semiliberdade Caetanos, também pertencente à Instituição. Os outros 24 jovens cumprem as medidas de liberdade assistida (LA) e prestação de serviços à comunidade (PSC).

Os objetivos do , Expresso são propiciar o convívio com a arte como uma questão fundamental para vida; aumentar o repertório lúdico destes jovens; e, ao mesmo tempo, contribuir para o processo de reinserção social.

As aulas e vivências artísticas se deram nos formatos on-line e presencial, com atividades que envolvem temas como artes visuais, literatura, moda e música.

Como parte das atividades pedagógicas, os jovens realizaram visitas à exposição “Enciclopédia Negra”, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, e à exposição “Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros”, no Instituto Moreira Salles. O foco foi ampliar o conhecimento histórico e artístico deles, além de permitir a socialização em espaços tão importantes para a arte e a cultura brasileiras.

O projeto tem autoria e direção geral de Daniela Machado – que, em sua adolescência, cumpriu medida na Fundação CASA, na época chamada de Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem/SP) –, direção executiva de Carla Plascak e curadoria de Guilherme Teixeira e Carollina Lauriano.

“A arte é uma linguagem que propicia novos caminhos e vivências. Não à toa é parte das oficinas oferecidas na Fundação CASA como conteúdo necessário na medida socioeducativa”, explica o secretário da Justiça e Cidadania e presidente da Fundação CASA, Fernando José da Costa.

Exposição, documentário e publicação 

As aulas e as vivências artísticas se transformaram em uma exposição coletiva dos trabalhos produzidos, que está em cartaz no CASA Feminino Parada de Taipas, centro socioeducativo da Fundação CASA com atividades suspensas, localizado no bairro do Jaraguá, na zona oeste de São Paulo. A visitação gratuita e aberta ao público começou no último domingo (12) e vai até 30 de janeiro de 2022.

Todo processo das aulas e experiência dos jovens no Projeto foram registrados em vídeo, além da divulgação de uma publicação sobre os trabalhos produzidos, com imagens e textos dos artistas e jovens envolvidos.

Artistas e suas dinâmicas

Cada artista visual trabalhou uma temática diferente, de acordo com sua linguagem artística e plano pedagógico, assim como uma dinâmica de trabalho pensada para cada grupo de jovens. Todos têm uma relação estreita com arte-educação ou já ministraram aulas para adolescentes e/ou crianças durante as suas trajetórias.

Todos os jovens aqui identificados estão com nomes fictícios, devido à proteção da imagem exigida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), enquanto cumprem medida socioeducativa.

Os artistas visuais Bruno Dunley e Jaime Lauriano trabalharam com o grupo formado por Favela, Caique Clayson, Du, Mascarado e Thiago Henrique. O foco esteve nas possibilidades de ver, pensar e fazer desenho. A dupla propôs desenhos de observação a partir de algum objeto, paisagem ou retrato.

O artista visual Raphael Escobar trabalhou com o grupo formado por Mg Da Sp, MC GH da Capital, João Poeta, DJ Monstro, MC mw.Oficial. Com foco na música, tiveram interesse em produzir uma música coletiva. Suas aulas foram compostas por filmes e séries sobre o tema.

A artista visual Élle de Bernardini trabalhou com o grupo formado pela Camilly, Elisa, Estephany, Michele e Wendy. Seu foco foi voltado para os sonhos, desejos e expectativas que as jovens têm quando saírem da instituição.

A artista visual Igi Lola Ayedun trabalhou com o grupo formado por Anny Ferreira, El Lipy, Hariel, Marcos Oliveira, Marquinhos e Marketing. Seu foco foi voltado para a introdução e deformação de pintura. Os processos foram desde o desenho e a pintura até a suas desconfigurações, passando pelo abstrato, figurativo, teorias das cores e formas de manusear materiais, por meio de subsídios 100% orgânicos e naturais.

O artista visual Moisés Patrício trabalhou com o grupo formado por Vitória, Santiago, Kaue Artes, Tereza, Xico, e E 07. Seu foco foi a fotografia e a dinâmica ocorreu através do treino do olhar e da apresentação da produção de diferentes fotógrafos/as para os jovens. 

A artista visual Ana Raylander Mártir dos Anjos trabalhou com o grupo formado por Andrey, G.Estevam e Mateus Oliveira, que nunca tiveram contato direto com as artes plásticas. Seu foco foi aplicação de um conjunto de exercícios como escrever uma carta para o seu eu futuro, pensando no que falaria para eu de dez anos à frente; assim como a criação de lista de verbos que auxiliam nos assuntos de interesse (como a vida, o amor, a família, a música, a comunidade, entre outros). 

Além dos ateliês, adolescentes e artistas realizaram diálogos, num ciclo de quatro encontros, em que falaram sobre suas percepções e leituras do que foi vivenciado com os adolescentes. 

Financiamento e apoio institucional

Aprovado em 2020 pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura PROMAC – Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais da Cidade de São Paulo, o projeto é financiado com incentivo fiscal do Cantareira Norte Shopping.

O Apoio institucional vem da Secretaria da Justiça e Cidadania (SJC), da Fundação CASA, do CIC (Centro de Integração e Cidadania) Oeste e da Associação de Lutas e Promoção Social II e II.

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