Por: Assessoria de Imprensa | Publicado em: 02/03/2017 16:09:46

Em sua terceira faculdade, o autor da peça admite que o trabalho da Fundação CASA o inspira. “Me encontrei aqui”, disse

 

O agente de apoio socioeducativo, Elyseu do Carmo Munhoz, tem jornada dupla. Quando não está cuidando da agenda dos adolescentes do CASA Ipê (DRM-IV), costuma estar empenhado às tarefas que o levaram escrever ‘Ribanceira’, peça de teatro com estreia no dia 10 de março, no teatro Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo.

O servidor está em sua terceira faculdade. É formado em Letras, Pedagogia e atualmente faz Artes Visuais e pós-graduação em Psicopedagogia. Nas horas vagas, quando há, costuma alfabetizar os carroceiros, como voluntário. “ Gosto de ajudar o próximo”, diz ele.

Com tanto conhecimento, Munhoz destaca que foi na Fundação CASA que se encontrou, há três anos. “O que me atrai é acompanhar a socialização do jovem”. Para ele, o trabalho da instituição o inspira. “Eu acredito no ser humano, aprendo com os meninos, eles me enchem de histórias e referências para as peças”, comentou.

Seu maior desejo é conseguir tempo para desenvolver um trabalho artístico com os garotos. “Vejo que é possível descobrir talentos na Fundação”, enfatizou.

O espetáculo RIBANCEIRA tem o texto inédito do autor Aramyz, seu nome artístico. A peça aborda a questão dos desastres ambientais e as tragédias ocasionadas por eles na vida das pessoas menos favorecidas. “O texto fala sobre perdas e ganhos, dos valores e direitos pelos quais esquecemos de lutar. O personagem Zé representa a vida dessa gente esquecida e que aos poucos foi perdendo a consciência do que é certo e errado, mas nem por isso para de sonhar e rir de suas próprias desgraças”, afirma o autor Aramyz. “Quando escrevi o texto ainda não tinha acontecido a tragédia de Mariana, mas acho que ela tem um diálogo direto com o texto”, completa.

 

 

RIBANCEIRA, apresenta as lembranças do personagem Zé, sobrevivente de uma catástrofe na qual perdeu mulher e filhos, mas, que tenta refazer a sua vida resgatando o antigo sonho de ser escritor. Zé é humano, tem preconceitos, comete erros e chega a ser cruel. Atribui a Deus as responsabilidades pelo que acontece aos seres humanos, se vê em uma situação da qual só sairá se tomar as rédeas da própria vida.

 

 

“A peça é inspirada na observação de uma realidade vivida por muitas famílias no Brasil e em diversos outros países. O Zé, personagem sem sobrenome, representa os diversos sobreviventes de catástrofes sejam as causadas por enchentes, pela falta de recursos financeiros, ou pela impotência de quem vive do lado reservado a uma parcela menos privilegiada da humanidade, demarcado pelo capital e pelo poder”, declara o ator Antonio Ginco.

 A montagem tem como norteadores o Teatro Documentário e o Teatro de Narração, além de Eugenio Barba, Piscator e Rudolf Laban, que embasaram o trabalho corporal e de interpretação. “A peça se realiza no plano da memória e no plano da realidade, e ainda que a realidade de Zé seja atemporal, ele nos fala do aqui e do agora. Alguns objetos cênicos criam imagens lúdicas que contrapõem o forte teor dramático”, afirma a diretora Maria Basilio.

“Ainda que a interpretação seja feita por apenas um ator, o personagem dialoga com a plateia e com outros personagens que estão em sua memória e que, às vezes, ganham corpo e voz”, finaliza a diretora. A peça tem iluminação de Décio Filho, cenografia e sonoplastia de Maria Basílio e Antonio Ginco, figurinos de Paulo de Moraes e adereços de Eduardo Mena. O trabalho contou também com a colaboração dos pesquisadores Sol Verri e Diego Pereira.

Aramyz: Nascido Elizeu do Carmo Munhoz, optou pelo nome artístico ARAMYZ, em homenagem à mãe, uma baiana analfabeta, que um dia ouviu a história dos Três Mosqueteiros, e escolheu o nome de um deles para o filho, porém o pai, com excesso de felicidade não lembrava o nome do filho, e por sugestão do escrivão evangélico, colocou Elizeu mesmo. Formado em Artes Cênicas pela Fundação das Artes, em Letras (Claretiano), Pedagogia (UNINTER), atualmente cursando sua terceira licenciatura em artes visuais (UNIJALES )  e concomitantemente,  pós graduação em psicopedagogia.Autor, diretor e ator. Escreveu, entre outros textos: Do Lixo ao Lixo, que teve sua direção, Minhas Mulheres, no qual também atuou, com direção de Antonio Ginco e Escapamento, encenado pelo Trilhas da Arte. Foi finalista da mostra de Humor dos Parlapatões (2007/2008); convidado do Memorial da América Latina para a Mostra de Teatro Ibero Americano com o Pocket Show de Humor AHAMMM!!! (2008); convidado do Comediantes em Pé de Guerra, no Parlapatões (2010);  um dos criadores dos espetáculos: Deboshow, A comédia de todos Nós e Confraria da Comédia. Em teatro atuou nos espetáculos Dom Casmurro, adaptação a obra de Machado de Assis, direção de José Paulo Rosa e A Casa de Bernarda Alba, de Garcia Lorca, direção de Roberto Nogueira. Na TV, foi vencedor do Concurso de Humoristas do Programa Toda Sexta / Adriane Galisteu, na Band (2011) e vice campeão do Concurso de comediantes Arquibancada do Riso, no SBT (2012).