Por: Assessoria de Imprensa | Publicado em: 22/12/2011 20:01:56

Por Maria Eli Colloca Bruno (*)



I- Introdução


Ao assumir a gestão da FUNDAÇÃO CASA, então FEBEM, em junho de 2005, a atual administração se deparou com uma realidade que exigia mais do que a gestão de uma organização publica destinada a executar as medidas sócio educativas imposta aos adolescentes em conflito com a lei. Era preciso promover mudanças profundas, tanto na área administrativa, como no atendimento dispensado aos adolescentes, sua atividade fim. Para realizar essa difícil tarefa, foi preciso uma análise geral da organização, elencando seus problemas, especialmente levando em conta as respostas obsoletas dadas pela adoção de métodos tradicionais de administração. Nessa direção, foi necessário que se criassem oportunidades para que os servidores participassem das decisões que os afetariam - estabelecendo uma gestão participativa, e que se definisse como se desejava que a organização fosse no futuro - uma administração estratégica. Assim, ainda em 2005, foram reunidos profissionais de todas as áreas de atuação da Fundação. Em um Encontro, eles estabeleceram a MISSÃO, a VISÃO e os VALORES da instituição.


A missão é a definição do propósito principal de uma organização - estabelece o porquê de sua existência, deve ser motivadora, de longo prazo e de fácil entendimento e comunicação. Os valores correspondem aos atributos que a organização considera importante para preservar, realizar e manter sua imagem e o nível de sucesso desejado. A visão diz respeito à mudança, ao crescimento e à transformação da organização. Ela expressa como a organização pretende estar posicionada a longo prazo.

 

O planejamento estratégico surge então, como o processo de planejamento formalizado, e de longo alcance, no qual se definem os objetivos que a instituição deseja atingir. Definiu-se como MISSÃO: “Executar direta ou indiretamente as medidas sócio educativas, com eficiência, eficácia e efetividade, garantindo os direitos previstos em lei e contribuindo para o retorno dos adolescentes ao convívio social como protagonista de sua história”; como VALORES: “a humanização, personalização, descentralização da execução das medidas sócio educativas, a uniformidade, controle e avaliação das ações”; e como VISÃO: “tornar-se referência no atendimento ao adolescente autor do ato infracional”.

 

O encontro de 2005 foi seguido por outros, em 2007, 2008, 2009, nos quais foi aprovado o Mapa Estratégico, com 10 objetivos que devem ser perseguidos para atingir a Missão e a Visão.

 

mapa_menor

 

 

As diretrizes estratégicas listadas no topo do diagrama - Fortalecimento das relações Externas e Parcerias, Descentralização e Municipalização, Atendimento Individualizado aos adolescentes permitem alcançar a Visão proposta como resultado das ações definidas. O mapa deve ser analisado de forma ascendente e entendido de forma que as dimensões inferiores garantam as condições para o cumprimento das ações previstas nas dimensões superiores numa relação de interdependência que se falhar a dimensão financeira inviabiliza as demais.


II. Os  desafios  de  se  trabalhar  com o  processo de  Planejamento
Estratégico

Muitos foram os desafios para se estabelecer um processo de trabalho que envolve planejamento de ações de forma a atingir objetivos estratégicos numa organização como a Fundação, que tradicionalmente foi pensada de forma centralizada e gerida sem a participação dos atores e com ações pontuais no enfrentamento das situações problemas.


Foi necessário:


?    convencer os funcionários da importância de planejar e cumprir o planejamento como estratégia de mudança e não apenas para cumprir tarefa;
?    garantir a participação de todos os envolvidos no processo;
?    enfrentar os desafios que se apresentam sem desacreditar do processo (variáveis não controláveis);
?    desconstruir práticas tradicionais consideradas sem êxito;
?    implantar novo paradigma no atendimento aos adolescentes
?    envolver novos atores abandonando a idéia de instituição total;
?    atribuir novos conceitos às áreas profissionais;
?    estabelecer novas relações entre as áreas;
?    remodelar os espaços físicos


Importante frisar que todo o processo de planejamento se deu de forma ascendente, iniciando-se pela discussão do Plano Político Pedagógico de cada unidade de atendimento, consolidando-se na instância regional e apresentado as instâncias de decisão e consolidada em Encontros Estaduais. Essa foi a estratégia escolhida para superar gradativamente as dificuldades colocadas.


III - Resultados


Se há um mérito principal nos resultados obtidos nas reformulações realizadas pela Fundação CASA na política de atendimento aos adolescentes no Estado de São Paulo, pode-se dizer que se traduz pela adoção de um conjunto de medidas, incluindo um processo de planejamento ascendente e estratégico em que os funcionários são os principais atores das mudanças ocorridas.

 

Os indicadores que resultaram do esforço de planejamento e gestão permitem, cada vez mais o reconhecimento do trabalho da Fundação CASA na sociedade, abandonando aos poucos a imagem desgastada da Febem - palco de rebeliões, tumultos e altos índices de reincidência.

 

Para acompanhar a implantação das ações e programas concebidos nos planejamentos anuais foram criados indicadores. Esses indicadores estão divididos em grupos básicos que medem:
?    o perfil dos adolescentes atendidos;
?    a oferta de vagas para cada tipo de programa ofertado ao adolescente –atendimento inicial, internação provisória, internação, internação sanção, semi liberdade e liberdade atendida;
?    o fluxo de entradas e saídas dos jovens nos programas;
?    os resultados da oferta de atenção nas área de saúde, pedagógica, segurança, das famílias;
?    a imagem externa da Fundação;
?    o desempenho financeiro;
?    o custo dos adolescentes por programa;


Um dos mecanismos que garantem o acompanhamento do Planejamento Estratégico é o Portal da Fundação. Trata-se de uma ferramenta tecnológica que ancora o Sistema de Informação reunindo dados sobre os adolescentes.
Concebido em módulos, foram desenvolvidos os seguintes:
?    MÓDULO DE IDENTIFICAÇÃO - que reúne as características físicas dos adolescentes (fotografia, sinais digitais , hábitos, habilidades, expectativas);
?    MÓDULO PEDAGÓGICO - que reúne dados de cursos, oficinas, atividades esportivas e culturais, situação escolar;
?    MÓDULO DE SAÚDE - onde são anotados os dados de saúde física, saúde mental e odontológico do adolescente;
?    MÓDULO INTERPROFISSIONAL - onde estão os dados de situação familiar, do atendimento psicossocial. Em complemento aos dados do Portal  desenvolveu-se o Sistema de Movimentação dos Adolescentes - SIMOVA-que acompanha a entrada e  toda a movimentação do adolescente entre os programas. Com essas ferramentas e com a concepção dos Indicadores vem sendo possível monitorar e avaliar o atendimento sócio educativo prestado.

Outro importante resultado desse processo foi a possibilidade criada de se estabelecer metas reais de desempenho esperado e como produto uma proposta orçamentária real e adequada às necessidades da instituição tanto no aspecto de investimentos como no de manutenção.

IV- Conclusão

A gestão participativa, estratégia adotada pela Executiva da Fundação CASA, resultou em grandes avanços institucionais; avanços efetivos e concretos, passíveis de medição na proposta desenvolvida no Planejamento Estratégico através dos Indicadores, os quais permitem o Acompanhamento de Metas de forma que o equacionamento das ofertas e necessidades para o atendimento socioeducativo seja sistematicamente discutido e acompanhado. Desta forma, os Indicadores também mostram o desenvolvimento institucional e norteiam sistematicamente o processo de Planejamento respaldando a tomada de decisão.


Alguns desafios ainda se colocam e necessitam ser transpostos de forma que a visão de futuro da Fundação se anteponha às dificuldades e necessidades dos processos. A fase é a de Acompanhamento de Metas, isto significa dizer, que é o momento de rever parâmetros, questionar as práticas, avaliar modelos e re-visitar toda dinâmica que envolve o atendimento socioeducativo.


As bases foram lançadas e estão em franco processo de consolidação. Nesta fase é necessário visualizar a Fundação desejada, dimensionar o progresso, definir novos formatos, identificar vieses e re-conduzir as ações com foco no delta para o alcance das metas e dar visibilidade à Missão da Fundação mantendo e divulgando seus Valores.

 

* Maria Eli é diretora técnica da Fundação CASA