Por: Assessoria de Imprensa | Publicado em: 13/12/2019 10:26:01

Projeto foi implementado com dez jovens em medida socioeducativa pelo Instituto Mundo Aflora e encerrou piloto com roda de conversa

Na última segunda-feira (16/12), aconteceu a celebração de encerramento do Programa “Vozes no Brasil”, realizado neste semestre com 10 adolescentes do CASA Feminino Parada de Taipas, localizado na capital paulista, em parceria com o Instituto Mundo Aflora.

Durante o último encontro do piloto do programa, as jovens participaram de uma roda de conversa onde dividiram o que vivenciaram, junto com depoimentos das facilitadoras, e também contaram como foi a evolução do projeto e a observação das pesquisadoras. Ao final, ocorreu a entrega de certificados para as participantes. 

Depois de quatro meses da implementação dessa metodologia, o Instituto Mundo Aflora tem o prazer de dividir os resultados parciais do processo de aprendizagem com seus parceiros, que permitiram que esse projeto acontecesse, e com os funcionários do centro de Taipas, que apoiaram sua execução.

O projeto contou com a parceria da Fundação CASA e da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado, e apoio do Ministério Público de São Paulo (MPSP), do Departamento da Execução da Infância e Juventude (DEIJ), da Promotoria, da Dra. Denise Ramos e Dr. Roberto Garcia e equipe, pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), que fizeram a pesquisa de impacto do programa, além de doadores institucionais. 

Contexto Brasil

Grande parte das adolescentes envolvidas no sistema de justiça juvenil experimentou anteriormente traumas decorrentes de abuso físico ou emocional, violência e vício no ambiente familiar ou em sua comunidade.

O Instituto Mundo Aflora, que há três anos vem impactando a vida de mais de 2500 meninas que estão ou estiveram em medidas socioeducativas, identificou, a partir de sua atuação, a carência de uma metodologia adequada ao tratamento de traumas de garotas em conflito com a lei. Assim, as jovens correm grande risco de recaída após a sua liberação, devido ao que chamamos de “ciclo do trauma”, que pode levar a reincidência.

Num contexto em que grande parte das jovens em ambientes de justiça geralmente se encontram sozinhas, à medida que são estigmatizadas pela sociedade e abandonadas pela família, fazer parte de um grupo que olha para o trauma de forma acolhedora e fortalece o suporte mútuo é uma oportunidade para a reversão deste cenário. Ao incorporar metodologias que visam atender às necessidades das adolescentes, sua inclusão e igualdade nas relações de gênero, há uma oportunidade para o sistema judiciário tratar traumas, promover o empoderamento e reduzir efetivamente o risco de reincidência dessa população, não só no sistema socioeducativo mas também no sistema prisional. 

O Programa VOZES!

“VOZES! é um programa de autoconhecimento para potencializar meninas” e foi criado pela psicóloga norte-americana Stephanie Covington, a partir de uma metodologia específica para o gênero feminino.

O objetivo é ajudar as adolescentes a superarem o ciclo do trauma e a se transformarem por meio da autodescoberta e do empoderamento. Esse programa foi aplicado com sucesso em contextos de justiça nos EUA, Inglaterra e Austrália e, a longo prazo, difundiu essa metodologia para outras configurações de justiça feminina no país.

O piloto está sendo implementado com dez meninas do CASA Feminino Parada de Taipas, por meio de 18 encontros semanais, e conta com a parceria do núcleo de psicologia da PUC-SP para mensuração do impacto social que será gerado. Ao exercitarem suas vozes num contexto coletivo, as participantes revisitam suas próprias histórias, aprendem a confiar em si mesmas e apoiam umas às outras. O programa almeja o fortalecimento das jovens mulheres, a melhora da qualidade de vida e a redução da reincidência.

O VOZES! trabalha com as meninas por meio dos módulos “Autoconhecimento”, “Outras Pessoas”, “Vida Saudável e “A Jornada Adiante”.

O primeiro módulo, facilitado em setembro, estimulou as meninas a acessarem suas vozes, que muitas vezes foram silenciadas, e a confiar umas nas outras, se conhecendo melhor, e acessando sentimentos, crenças e qualidades.

Também incentivou-as a olhar para a história de suas vidas e a refletirem sobre ‘quem tem o poder?’, sobre como as desigualdades sociais, a opressão e a marginalização afetam a identidade de cada uma delas e, por fim, sobre o que é ser menina na sociedade.